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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Paulo e a Lei

É fato que alguns textos das cartas de Paulo, se lidos isoladamente, nos levam a entender que a lei de Deus foi abolida ou invalidada pelo sacrifício de Cristo na cruz do calvário. No post anterior eu já havia comentado sobre o estado da lei, e que a lei não existir vai contra as regras de fé de um verdadeiro cristão. Mas como dito a princípio, existem textos neotestamentários que dão margem para este pensamento se lidos isoladamente, e gostaria de desvendar esse quebra-cabeça que muitas vezes dá nó na cabeça dos irmãos.

Vejamos alguns exemplos:

“Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados”. (Colossenses 2:16)

"Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem..." (Efésios 2:15)

Estes são alguns textos que servem de base para muitos "líderes religiosos" saírem pelo mundo a fora pregando que a lei passou, que o sábado passou. Para que o post não fique muito extenso, vou utilizar o texto de Efésios citado acima, pois a sintaxe relacionada a ele, serve para os demais textos utilizados pelos abolicionistas.

Antes de mais nada precisamos saber o ponto de vista do autor do texto, no caso, Paulo. Escritores Bíblicos não se contradizem, a Bíblia fala uma só língua, a língua do Espirito Santo. Vejamos:

"por conseguinte , a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom." (Romanos 7:12)
 
"Anulamos, pois, a lei pela fé? NÃO, DE MANEIRA NENHUMA! Antes, CONFIRMAMOS A LEI." (Romanos 3:31)
 
"Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado." (Romanos 7:25)

É hermenêuticamente falando, IMPOSSÍVEL dizer que Paulo pregava a abolição da lei. Como pode Paulo uma hora pregar que o Mandamento é santo, que o mandamento é Justo e que o Mandamento é Bom, e logo depois dizer que Cristo aboliu os mandamentos na sua carne? Tal afirmação é dar margem para os ateus, pois são eles que dizem que a Bíblia contém contradições. Paulo era uma ferrenho observador da lei, ora, Paulo foi educado em duas culturas, a grega e a Judaica, depois que conseguiu cidadania romana. sendo criado em cultura judaica, Paulo era um ferrenho observador da lei, por isso que em um dos versos acima ele fala que sua mente é escrava da lei de Deus, o pensamento de paulo era direcionado para viver de acordo com a vontade de Deus.

Logo uma coisa podemos aprender, Paula de maneira alguma pode estar falando da mesma lei, ele tem que estar falando de leis diferentes. Como podemos perceber isto? Simples, bastar ler o contexto dos versos. Este ato básico vai matar a charada das declarações de Paulo. Em Romanos 7:12 é fácil de perceber que Paulo fala dos 10 mandamentos através do contexto. Basta começar a ler do verso 7. Abra sua Bíblia, leia você mesmo. Paulo fala de conhecer a cobiça através da lei, que lei fala que não devemos cobiçar? Óbvio, os 10 Mandamentos! Descobrimos que quando o Apóstolo da Graça fala que o mandamento era santo, justo e bom, ele se referia ao Decálogo da Lei.

e Efésios 2: 15 ???
Com o texto de efésios faremos o mesmo procedimento, vamos estudar o contexto para poder desvendar as declarações de Paulo. Basta ler alguns versos antes e alguns versos depois. sugiro que leia do verso 11 ao verso 22, pegue sua Bíblia, mãos a obra. Após ler toda a passagem, repare nos seguintes trechos:

Verso 14
"Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade..."

Verso 18
"Porque, por ele, ambos temos acesso ao pai em um Espírito."

Somente estes dois trechinhos da passagem, se não os deixarmos passar despercebidos, podem dar um enorme esclarecimento sobre que lei paulo afirma que Jesus aboliu na cruz. Que parede de separação cristo derrubou? Eu sei qual foi, o único portal de separação jogado ao chão por cristo foi o véu do santuário. Vejamos:

"Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderan-se as rochas;" Mateus 27:51

Esse comentário também se associa com o segundo trecho que eu frizei, pois agora sem o véu do santuário, não haviam mais necessidade do sumo sacerdote, Cristo seria o nosso sumo sacerdote, e o acesso a Deus seria espiritual, não mais físico na forma de sacrificios. Existia alguma lei que podesse reger as mediações em forma de sacrificios, e que com o Sacrificio maior na cruz do calvário deveria ser abolida na carne? Para tristeza dos abolicionistas, essa lei existia sim. Eram as chamadas Leis Cerimoniais. podemos encontra-las dando uma rápida lida nos livros de Levitico e Êxodo. vejamos:

leis acerca dos altares - Êxodo 20:22 a 26;
leis acerca dos servos - Êxodo 21:1 a 11; 
leis acerca da violência - Êxodo 21:12 a 36;
leis acerca da propriedade - Êxodo 22:1 a 15; 
leis civis e religiosas - Êxodo 22:16 a 31;
lei dietética - Levítico 11;
repetição de diversas leis - Levítico 19...
leis para os sacerdotes - Levítico 21:1 a 24

Também conhecidas como lei de Moíses, as Leis cerimoniais em quase todo o seu corpo simbolizavam Cristo. Em quase todos os seus traços o foco era profetizar a vinda do Messias. Quano Jesus veio e morreu,  qual o sentido da contínua observância destas leis que o representavam? Nenhum! Então esses mandamentos em forma de ordenanças foram abolidos na morte de Cristo, pois não tinham mais sentido. Foi isso que Paulo quis dizer.

"...antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós."
1Pedro 3:15

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A importância da Lei de Deus nos nossos dias

A Lei de Deus, Os 10 Mandamentos, reflexo do caráter de Deus. Tantos nomes, e tanta importância. A lei de Deus hoje atacada e até mesmo considerada "abolida" por algumas pessoas que se acham "estudiosas da palavra". Essas pessoas que pregam tais heresias me parecem estar mais ligadas a coisas seculares do que propriamente a palavra de Deus. Digo "me parece" pois nao tenho certeza, porém, é o mais óbvio a se pensar, como pode algo tão claro na Bíblia ser considerado abolido pelas pessoas que se dizem pregadores da mesma ? Realmente é dificil de entender. Mas este não é o foco. Quero frizar que a lei que hoje é tão atacada, tem uma importância fundamental em nossa sociedade.

Essas pessoas que dizem que a Lei passou, que a Lei foi abolida mesmo sem perceber, ou pecebendo mesmo, guardam a lei de Deus. Por isso que nós adventistas dizemos que o preconceito não é contra a lei de Deus, mas sim contra o quarto mandamento.

Vejamos a importância de cada um deles:

"Não terás outros deuses diante de Mim" Êxodo 20:3

O primeiro mandamento fala que toda a adoração deve ser dada somente a Deus. nenhum outro ser no universo merece adoração, apenas Ele. fala das nossas prioridades, Deus tem que ser o primeiro, as outras coisas nos serão acrescentadas. Eu ACHO que nenhum dos nossos irmãos que dizem ter sido a lei abolida adoram outro deus, ou adoram? Todos pregam que Deus tem que estar em primeiro lugar, não é? Então o primeiro mandamento não passou, certo?

"Não farás para ti imagem de escultura" Êxodo 20:4

Segundo mandamento fala que Deus não quer adoração através de imagens, imagens estas que limitam o Ser verdadeiro do todo-poderoso, Deus não quer ninguém se ajoelhando na frente de santinhos de gesso. Algum irmão que se encarregou de abolir a lei adora escuturas ? Ou pior, quantos dos nossos amados irmãos já não apontaram o dedo pra um Cotólico e o crucificaram por fazerem estes atos? ai, ai, ai... acho que este mandamento também não passou não é verdade?

"Não tomarás no nome do Senhor teu Deus em vão" Êxodo 20:7

Não tomar o nome de Deus em vão não quer dizer só o falar, mas também o agir, receber a ocunha de Filho de Deus, porém viver uma vida de libertinagem e falsa moral também arrebentam com o mandamento. E acredito que nossos irmão abolicionistas fazem questão de ter seus testemunhos intactos não é mesmo? ou não? me parece que o terceiro mandamento também ainda vale na vida de vocês...

"Lembra-te do dia de sábado para o santificar" Êxodo 20:8

Este é o mandamento que sofre o maior preconceito. Porém ele tem uma importância fundamental na lei de Deus. Primeiro que ele ordena um descanso semanal, no dia que chamamos de memorial da criação. dia de renovar as energias e contemplar a criação de Deus, ajudar os outros e tudo mais. este mandamento é o selo de Deus na lei, e serve também para diferenciar o povo de Deus do resto do Mundo (Ezequiel 20:20). Nossos irmãos tentam fazer o mesmo só que com o dia de domingo. Até seria uma boa idéia, se não fosse algo contrário as ordens de Deus, se Deus quer atenção exclusiva no Sábado, então é no Sábado!

"Honra teu pai e tua mãe" Êxodo 20:12

Este é mais um dos mandamentos que provam a validade da lei hoje. Ou alguém aqui quer me exemplificar uma igreja que  ensine que os filhos podem desfazer dos pais a hora que bem entenderem ou der vontade? Ainda bem que o caso de Suzani Richthofen não abolou ninguém não é? Ela só fez matar os pais a pauladas, honra-los pra que né?

"Não matarás" Êxodo 20:13

Talvez alguns dos irmãos abolicionistas não tenham ficado chocados com o caso de Isabela Nardoni, ou talvez da última sensação dos noticiários, o caso do goleiro Bruno que matou de forma brutal a sua ex, Eliza. Afinal, Matar é algo natural, afinal Deus não proíbe isso. Ou será que proíbe? Não sei, pra mim esse também está valendo...

"Não adulterarás" Êxodo 20:14

Esse é o mais "engraçado" de todos. Como assim engraçado? te digo, esse é o mandamento que mais provoca disciplinas eclesiásticas nas igrejas. O porque eu não sei, o mandamento foi abolido. Porém os abolicionistas teimam em disciplinar esposos e esposas que pulam a cerca, ou então um casal de jovens namorados que fazem sexo antes do casamento. é Muito engraçado, se isso é abolir, não sei mais o que significa essa palavra.

"Não furtarás" Êxodo 20:15

Essa é a parte que os políticos mais gostam. Estão todos de consciência limpa perante Deus. O mandamento que fala que Roubar é uma "coisa feia" não existe mais!!! Talvez os tesoureiros dessas igrejas também amem essa parte da conversa...

"Não dirás falso testemunho contra teu próximo" Êxodo 20:16

"Cresci" aprendendo com mamãe e papai que mentir era feio, ouvi de muitas pessoas que mentira tem pernas curtas, e que uma hora a bomba estoura pro lado do mentiroso. Deus adverte sobre o pecado da mentira, muito coerênte. Só não entendo sua abolição. Mentir agora pode? Se Paulo realmente disse em Efésios que os mandamentos estavam abolidos, como posso dar credibilidade à alguém que falou que mentir agora pode? pois é, pergunta para os pentecostais, eles sabem responder melhor que eu..

"Não cobiçarás" Êxodo 20:17

A cobiça é um pecado que tem sua essência na Inveja. Inveja essa, que produz contendas pois temos sempre um querendo ser melhor do que o outro, querendo tomar o lugar do outro. querendo a mulher do outro.. Invejar pode? se não me engano disseram que os invejosos não entrarão no reino dos céus.. como pode? Será que esse ta valendo?

Leia, pense e reflita.

"Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos." Tiago 2:10

"pois o Pecado é a Trangressão da Lei" 1 João 3:4

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A Lei e os Cabeças Dura

Eu acho incríííííível (perdão pela ênfase) a capacidade de endurecimento da cabeça que esses nossos amigos cristãos tem. Às vezes, durante aquelas  rodas de discussão teológica, admito, prefiro não participar de debates sobre a validade da lei de Deus. O por que ? porque é um assunto que não tem o que discutir!
Basta pegar o princípio de que a Bíblia não pode se contradizer(II Timóteo 3:16, Tiago 1:17), e pegar alguns versinhos que nem precisam de "teologuês" pra se explicar, ele mesmo se explica. exemplos? muitos:

"Se me amais, guardareis os meus mandamentos." (João 14:15)
"por conseguinte , a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom." (Romanos 7:12) [Olha Paulo, o Apóstolo da Graça falando da lei]
"Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus." (Apocalipse 14:12)
"Falai de tal maneira, e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados pela LEI DA LIBERDADE" (Tiago 2:12)

Eu poderia encerrar o post aqui mesmo, é MUITO claro. Não enxerga quem não quer. Não enxergar por falta de vontade para enxergar, inclusive me lembra outro verso:

"Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardamos os seus mandamentos.
Aquele que diz: Eu conheço a Deus e não guarda os seus mandamentos É MENTIROSO, e nele não está a verdade." (I João 2:3,4)

Forte não é? Algum sincero leitor percebeu que eu ainda não usei o Antigo Testamento? Não o fiz, para quebrar outra baboseira de que a Lei era só para o Antigo Israel, estou usando apenas as palavras daqueles que viveram no tempo de Jesus.

Mas refletindo bem, o problema não é querer enxergar, acredito que o grande problema hoje é a falta de vontade em estudar a palavra de Deus, pessoas se contentam com o que o pastor ou presbítero fala lá na frente, ou com o que aprende na escolinha dominical. São pessoas SINCERAS, mas que se limitam ao que os outros dizem e não procuram se aprofundar na palavra de Deus.

"O meu povo está sendo destruído porque lhe falta o conhecimento..." (Oséias 4:6)

O alvo preferido da garotada Evangélica é o Apóstolo Paulo, o Apóstolo da Graça é tido como o mentor da anulação da lei, pois é apartir de seus textos que é retirada a matéria-prima da imaginação desses caros irmãos.

Lembrando o que Paulo doutrora já falava:

"por conseguinte , a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom." (Romanos 7:12)

"Anulamos, pois, a lei pela fé? NÃO, DE MANEIRA NENHUMA! Antes, CONFIRMAMOS A LEI." (Romanos 3:31)

Paulo nunca foi contra a lei, pelo contrário, ela a confirmava, mostrava a importância da sua observância. para ver um pouco sobre esse assunto recomendo esse texto do blog.

Só não entendo o porque dos ditos evangélicos dizerem tanto que a lei passou, que foi anulada, que não existe mais, se estão apenas na expectativa de encontrar um católico para lhe apontar o dedo e condenar-lhe por se prostrar ante Imagens de escultura (isso não seria um mandamento ? Exôdo 20:4) Ou talvez de disciplinar e casar de qualquer jeito um casal de jovens por fornicação (Outro mandamento ? Exôdo 20:14).

Bom, talvez tenha alguém aqui para me explicar isso... ou não, pois quando estes argumentos são postos em rodas de discussão teológica, sempre esses "crentes" deixam a Bíblia de lado e partem para agressões verbais denominacionais (infundadas, diga-se de passagem).

"Porque surgirão falsos cristos e Falsos profetas operando sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos."
Mateus 24:24

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O Sábado no Apocalipse e a Última Crise Mundial

O Contexto de Apocalipse 12 e 14

Qual o papel do sábado na crise final da história deste planeta?
O texto básico acerca deste assunto, no livro de Apocalipse, é o capítulo 12 verso 17.

"Irou-se o dragão contra a mulher e foi pelejar com os restantes da sua descendência, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus; e se pôs em pé sobre a areia do mar".

Aqui encontramos uma descrição da guerra entre o dragão e o remanescente, uma guerra que é pormenorizada em Apocalipse 13 e 14. Em certo sentido, Apocalipse 12:17 é um resumo antecipado da crise final como um todo. Assim, os capítulos 13 e 14 servem como uma exegese e um desenvolvimento da declaração básica feita em 12:17, ou seja, Apocalipse 13 pormenoriza a guerra do dragão e Apocalipse 14 elabora acerca do caráter e da mensagem do Remanescente.

O dragão faz guerra contra o Remanescente no capítulo 13. Ele busca o auxílio de dois aliados no conflito, um emerge do mar e o outro emerge da terra. Os três protagonistas (o dragão, a besta do mar e a besta da terra) formam uma tríade iníqua que busca contrafazer a obra da verdadeira Trindade. O dragão contrafaz a obra de Deus, o Pai; a besta do mar, a obra de Deus, o Filho; e a besta da terra, a obra do Espírito Santo. Essa tríplice e iníqua aliança ataca o Remanescente na batalha final. Qual é a questão básica em tal ataque? Os capítulos 13 e 14 não nos deixam qualquer dúvida. Em sete ocasiões diferentes (Ap 13:4, 8, 12, 15; 14:9, 11), o texto desses capítulos fala sobre a adoração ao dragão, sobre a adoração da besta do mar e sobre a adoração da imagem da besta. A questão na crise final da história deste planeta é claramente uma questão relativa à adoração.

Em contraste com esse apelo que é proferido sete vezes para que adoremos a iníqua tríade ou a imagem da besta, há um único apelo, nesses capítulos, para que adoremos a Deus (Ap 14:7). O chamado para adorar “Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” torna-se, portanto, a afirmação central de toda essa seção do Apocalipse e, talvez, o apelo central de todo o livro. Tudo o que está escrito nos capítulos 12-14 focaliza esse chamado para a adoração. A adoração é, de forma patente, a questão central envolvida na derradeira crise da história deste planeta.

Um aspecto interessante é que a linguagem dessa afirmação central se baseia nas expressões encontradas no quarto mandamento, em Êxodo 20:11. Ali é declarado que “em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há…” Esses dizeres se encontram refletidos em Apocalipse 14:7 – “Adorai Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.” O ponto central e nevrálgico da descrição apocalíptica da crise final é uma alusão direta a Êxodo 20. A atenção ao mandamento do sábado é, portanto, a resposta ideal ao chamado final de Deus para a adoração e, da mesma forma, a resposta ideal aos sete apelos que a besta faz para a adoração da trindade iníqua.

Os Paralelos de Apocalipse 14:7 com o Antigo Testamento

Paralelos verbais. Nesse ponto, leitores argutos podem suscitar uma objeção. Como podemos saber que o autor do Apocalipse conscientemente pretendia que o leitor compreendesse uma alusão ao quarto mandamento exatamente aqui (Ap 14:7) em sua narrativa? O Salmo 146:6 não contém exatamente a mesma linguagem de Êxodo 20? Como podemos saber que João estava citando Êxodo 20 e não o Salmo 146? Ele não poderia estar aludindo ao referido salmo, em cujo caso não haveria referência alguma ao quarto mandamento?

Essa é uma argumentação válida. O Salmo 146:5-6 afirma: “Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, e cuja esperança está no Senhor seu Deus que fez os céus e a terra, o mar e tudo quanto neles há, e que guarda a verdade para sempre.” Isso se aproxima muito de “adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” (Ap 14:7). Com efeito, na Septuaginta (uma tradução grega do Antigo Testamento disponível no período neotestamentário), as palavras do Salmo 146:6 (Sl 145:6, na Septuaginta) são praticamente as mesmas encontradas em Apocalipse 14:7. Portanto, há fortes paralelos verbais em Apocalipse 14 tanto em relação a Êxodo 20 quanto ao Salmo 146, com uma pequena vantagem talvez para o Salmo 146.

Paralelos temáticos. Contudo, os paralelos verbais são apenas um tipo de evidência em favor de uma alusão consciente ao Antigo Testamento em Apocalipse. Os paralelos temáticos e estruturais são também importantes. Há paralelos temáticos entre Apocalipse 14:7 e Êxodo 20? Sim. Os primeiros quatro dos dez mandamentos (Êxodo 20:3-11) contêm três motivações para a obediência. Primeiramente, há a motivação da salvação. O preâmbulo do decálogo (Êxodo 20:2-3) diz: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim.” Nossa obediência deve ser uma resposta ao que Deus já fez por nós. Em segundo lugar, há a motivação do juízo. O segundo mandamento fala acerca de visitar “a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração” (Êxodo 20:5). Isto é, há conseqüências para a desobediência. Finalmente, em terceiro lugar, há a motivação da criação. “Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou” (Êxodo 20:11). Deus criou o homem e sabe o que é melhor para ele. Portanto, há três motivações para a obediência na primeira parte da lei: salvação, juízo e criação.

As mesmas três motivações ocorrem no contexto de Apocalipse 14:7. Apocalipse 14:6 fala de um anjo que proclama “o evangelho eterno”. Aqui vemos o tema da salvação. Em Apocalipse 14:7 encontramos também o tema do juízo: “Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é chegada a hora do seu juízo.” E, anteriormente, já havíamos visto o tema da criação em Apocalipse 14:7: “adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.” Sendo assim, Apocalipse 14:6-7 tem as mesmas três motivações que induzem a uma mesma reação as quais encontramos na primeira tábua da lei (isto é, nos quatro mandamentos que normatizam a relação entre a criatura e o Criador): salvação, juízo e criação. E, além disso, esses ocorrem na mesma ordem em que aparecem em Êxodo 20!

Algum desses temas ocorre no Salmo 146? Sim. Ali aparece o tema da salvação: “Não confieis em príncipes, nem em filho de homem, em quem não há auxílio… Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, e cuja esperança está no Senhor seu Deus” – vs. 3 e 5. Há também ali o tema da criação: “que fez os céus e a terra, o mar e tudo quanto neles há” – v. 6. Há ainda o tema do juízo: “que faz justiça aos oprimidos” – v. 7. Os paralelos temáticos com o Salmo 146 são, portanto, tão fortes quanto aqueles com Êxodo 20, mas não na mesma ordem. Sendo assim, pode-se afirmar que há forte evidência em favor de ambos contextos no Antigo Testamento, mas há uma ligeira vantagem para Êxodo 20, sob a perspectiva de que os temas ocorrem na mesma ordem em Apocalipse 14 e Êxodo 20.

Paralelos estruturais. Isso nos conduz à busca de paralelos estruturais. Examinemos, agora, a evidência estrutural de Apocalipse 12-14. Os dez mandamentos, dos quais Êxodo 20:11 é uma parte, parecem ser uma estrutura principal subjacente a toda essa seção do Apocalipse. O remanescente é caracterizado, entre outras coisas, como sendo aqueles que “guardam os mandamentos de Deus” (Apocalipse 12:17; 14:12). Entretanto, a questão, aqui, não envolve os mandamentos de forma indiscriminada. O ponto nevrálgico se centraliza no aspecto da adoração. E, especificamente, esse aspecto é enfocado na primeira tábua do decálogo (isto é, nos quatro primeiros preceitos): os mandamentos que dizem respeito a nosso relacionamento com Deus. Quando se compreende essa realidade, não é surpreendente que, em Apocalipse 13, as bestas contrafaçam não apenas a Trindade, mas também cada um dos quatro primeiros mandamentos do decálogo. O primeiro mandamento declara: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20:3), mas a besta que emerge do mar pretende tomar o lugar de Deus ao receber adoração (Ap 13:4, 8). O segundo mandamento adverte-nos com respeito à adoração de imagens, no entanto, a besta que emerge da terra erige uma imagem a fim de ser adorada (Ap 13:14-15). O terceiro mandamento diz: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão”, mas a besta do mar “abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome” (Ap 13:6). O quarto mandamento diz: “Lembra-te do dia de sábado.”

Os tabletes que continham os antigos pactos eram lacrados com selos estampados sobre eles. Tais selos eram um sinal de propriedade e autoridade. Uma vez que o decálogo segue a forma desses antigos tabletes de concerto, ele também tem um selo de propriedade e autoridade estampado sobre ele – o mandamento do sábado: “Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou” (Êx 20:11). A declaração acima é a única contida nos dez mandamentos em que é declarado o fundamento da autoridade de Deus sobre toda a criação: Ele é o Criador. De igual forma, o conceito do selo é importante também em Apocalipse: os 144 mil são selados em suas frontes (Ap 14:1; cf. 7:3-4; Êx 31:13 e 17). A tríade iníqua oferece também uma contrafação do selo, a marca da besta (Ap 13:16-17). Destarte, todos os quatro mandamentos da primeira tábua do decálogo sofrem ataque por parte da tríade iníqua de Apocalipse 13. A primeira tábua da lei está no centro do conflito entre o dragão e o remanescente.

Essa série de conexões verbais e temáticas entre o conteúdo dessa parte do Apocalipse e passagens relacionadas aos dez mandamentos, indica que um importante paralelo estrutural dá-se em relação ao decálogo, especialmente no que tange à porção que diz respeito à relação entre o adorador e a Divindade. Essa evidência estrutural oferece um apoio incontestável à probabilidade de que o significativo paralelo verbal entre Apocalipse 14:7 e Êxodo 20:11 tenha sido intencional. Não há absolutamente nenhuma relação entre Apocalipse e Sl 146 que se assemelhe a essa.

A evidência cumulativa é tão forte que um intérprete bem pode afirmar que não há nenhuma alusão direta ao Antigo Testamento (em Apocalipse) que seja mais certa do que a alusão ao quarto mandamento em Apocalipse 14:7. Quando o autor de Apocalipse descreve o apelo final de Deus à raça humana no contexto do engodo do tempo do fim, ele o faz em termos de um chamado à adoração do Criador no contexto do quarto mandamento.

A Questão da Relevância

Não obstante, ainda que biblicamente correto, faz qualquer sentido ver o sábado como uma espécie de questão definidora na crise final da história deste planeta? Por que Deus escolheria esse tipo de questão como centro focal da crise escatológica?

No centro da questão está o fato de que o sábado é uma forma ideal de testar se as pessoas são, de fato, leais a Deus. O mandamento sabático é diferente dos outros nove. Todos os demais têm uma fundamentação racional motivada pelo interesse próprio; afinal de contas, os princípios da segunda tábua do decálogo são mesmo a legítima base de governo em muitos países. “Não matarás” é uma lei lógica para qualquer um que não queira morrer. “Não furtarás” faz perfeito sentido para qualquer um que queira proteger suas propriedades adquiridas com muito esforço pessoal. Mandamentos assim são racionais e chegam até a apelar a uma certa parcela de interesse próprio. A mesma coisa acontece com os três primeiros mandamentos, que dizem respeito a nosso relacionamento com Deus. Se Deus é quem Ele alega ser, não faz sentido adorar a nenhum outro.

A única parte do decálogo que não é lógica é o mandamento de adorar no sábado em vez de em qualquer outro dia da semana! Tal mandamento é tão destituído de lógica que as pessoas seculares o acham até difícil de considerar seriamente, pois não vêem nenhum benefício ou interesse próprio em tal princípio. Afinal de contas, ninguém conseguiu até hoje demonstrar qualquer base científica ou racional para se considerar um dia mais especial para Deus do que os demais. O sol brilha e a chuva cai de igual maneira tanto no sábado quanto no domingo.

Guardar o sábado requer que confiemos em Deus mesmo quando os cinco sentidos nos informam que não há nenhuma razão lógica para fazer isso. O sábado representa, escatologicamente, aquilo que a árvore do conhecimento do bem e do mal representava no princípio. O fruto da árvore era, provavelmente, tanto palatável quanto nutritivo. A única razão para não comê-lo era o fato de Deus o ter proibido.

Assim é com o sábado. A única razão de preferir o sábado ao domingo é porque Deus assim o ordenou, não há nenhuma outra explicação. Aceitamos o sábado respaldados unicamente pela Palavra de Deus, pois cremos que as Escrituras são um relato confiável da mente e da vontade de Deus.

O sábado é, portanto, um bom teste de nossa fidelidade a Deus e Sua Palavra. As Escrituras são um registro tão fiel das ações de Deus no passado quanto das realidades futuras no tempo do fim. É porque cremos nas Escrituras que damos crédito àqueles eventos do tempo do fim por elas descritos.

Em conclusão, o Apocalipse pinta o fim do mundo como tempo de um grande engodo mundial, que vai transcender os cinco sentidos, mesmo entre o povo de Deus. Entretanto, aqueles que crerem, aceitarem e seguirem os reclamos da Palavra de Deus, esses não perderão o rumo durante esse tempo de derradeiro engodo.

Por Jon Paulien (ph.D e professor de Novo Testamento na Andews University, EUA).
Traduzido, do manuscrito original em Inglês, por Milton L. Torres (IAENE).
Fonte: Revista Teológica, SALT-IAENE, 1999:1.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A Lei e a Graça não se Contradizem

Mas - vem a objeção - Paulo não disse claramente aos romanos, que não estavam mais "debaixo da lei" mas "debaixo da graça?" Sim, disse. Mas com tais expressões queria ele acaso dizer que não necessitamos guardar os mandamentos contra o adultério, a idolatria, o homicídio, o roubo, a mentira, etc., enfim o conteúdo do Decálogo?



De modo nenhum, pois os argumentos narrados na mesma epístola são contrários a essa desastrosa conclusão. Leia por exemplo os capítulos de Romanos 3:31; 7:12 e 14; 7:22 e outras passagens. Analisaremos, com muita atenção, o verdadeiro sentido da expressão de Paulo. Qual o assunto que Paulo tinha em mente ao escrever aos crentes de Roma?





Estaria ele querendo diferenciar a lei do Velho Testamento e a lei do Novo Testamento? Não!

Queria ele estabelecer conflito ou contradição entre a lei e graça? Também não!

Estaria indicando várias maneiras de salvação? Não!! Romanos 3:31.

Então a que se referia o apóstolo, ao dizer "debaixo da lei" e "debaixo da graça"?



Referia-se à mudança do que ocorre no indivíduo por ocasião de sua conversão, mudança do "velho homem" para o "novo homem", do pecado para a santidade, da condenação fatal para a graça livradora.

Paulo está se dirigindo a homens crentes, a cristãos batizados, a homens convertidos. Não a ímpios, pagãos ou a transgressores da lei divina. Leia Romanos 6:1 a 5. E prossegue o verso 6: "sabendo isto que o nosso homem velho foi com Ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não mais sirvamos o pecado". Claro como a luz que o capítulo se refere à conversão e não à mudança de dispensações. Notemos cuidadosamente o que ele diz: "assim também considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor." (Romanos 6:11).



A respeito de quem se afirma isso? Somente a respeito do homem convertido - membros da igreja de Roma, que não mais transgrediam a Lei, pois viviam em harmonia com ela. Paulo os exorta a não mais volverem ao pecado. "Não reine, portanto o pecado, em vosso corpo mortal..." (v. 12). Pecado - como define a Palavra de Deus - é transgressão da Lei [Dez Mandamentos] (I João 3:4). Paulo está exortando os romanos a não se deixarem arrastar pelas paixões carnais, voltando assim a transgredir a Lei de Deus. E no (v. 14): "Porque o pecado não terá domínio sobre vós... Por quê? Por que a lei foi abolida? Não. Mas porque já tinham abandonado o pecado, cessaram de transgredir a Lei.



O próprio argumento de Paulo mostra, de modo inequívoco, que era precisamente isto que ele queria dizer. "...o pecado não terá domínio sobre vós, porque não estais debaixo da lei (não mais a transgredis, não estais mais sujeitos à sua condenação, não colocais debaixo dela como antes) mas debaixo da graça (do favor imerecido que Deus vos concedeu de serdes redimidos por Cristo)."



O sentido exato e completo do v.14 é este: "tendo abandonado os vossos pecado, tendo cessado de quebrar a Lei, tendo crido em Cristo e sendo batizados, vós agora não sois mais governados pelos pelo pecado ou pelas paixões, nem sois condenados pela Lei, porque achastes graça à vista de Deus, que vos concedeu este favor imerecido, e os vossos pecados foram apagados."



Claríssimo! Portanto, não estar debaixo da lei, é não está sobre a sua condenação. Não há conflito entre Lei e Graça. "Por quê? Pecaremos (isto é transgrediremos a lei) porque não estamos debaixo da lei (da sua condenação) mas debaixo da graça (do favor divino)? De modo nenhum." Portanto, a própria conclusão do apóstolo Paulo destrói inteiramente a tese de um suposto conflito entre Lei e Graça. Mesmo porque se "não estar debaixo da lei" significa que não devemos obedecer-Lhe, segue-se portanto que podemos transgredir-la à vontade. Porém Paulo destrói imediatamente esta idéia blasfema com um categórico "De modo nenhum!".



Credenciada autoridade evangélica sentenciou, com relação a Romanos 6:14: "A graça não importa em liberdade para pecar, mas numa mudança de senhores, e numa nova obediência e serviço. A graça não anula a santa Lei de Deus, mas unicamente a falsa relação do homem para com ela." 1



Outra passagem - muito ao gosto dos negadores da lei - é Gálatas 5:18: "... se sois guiados pelo Espírito não estais debaixo da lei." Também neste caso, quais os que não estão debaixo da lei? Somente os que são guiados pelo Espírito, ou seja convertidos, os fiéis, os crentes, os que não seguem as concupiscências, os que não transgridem a Lei de Deus - em suma os que não cometem pecado. Os ímpios os pecadores não são guiados pelo Espírito, por isso eles estão debaixo da lei, da sua condenação, porque as transgridem. Não há aí a mais leve alusão de abolição da Lei de Deus. Só uma interpretação obtusa conduziria a tal conclusão.



Consideremos agora a absurda interpretação de alguns. Dizem que pela expressão "não estamos debaixo da lei" Paulo quis dizer que a lei foi abolida e, portanto, não precisamos mais cumprir os seus preceitos. Passou a lei, sua época e sua função - segundo dizem. Ora, se isto é verdade, então ninguém está debaixo da lei, quer seja ou não guiado pelo Espírito. Daqui não há como fugir. Mas Paulo combate este erro, declarando explicitamente que a fim de não estarmos debaixo da lei, temos que ser guiados pelo Espírito.



A idéia de se estar "livre da lei" e de sua obediência não é nova. Ela surgiu, pela primeira vez, em 608 A.C., aproximadamente, nos tempos do profeta Jeremias. Naquele tempo, este argumento indigno foi empregado pelo rebelde povo de Judá a fim de justificar a sua transgressão da lei de Deus. Consulte-se, de preferência nas versões Brasileiras ou Trinitária, a repreensão de Deus ao Seu povo, em Jeremias 7: 8 a 10: "Eis que vos confiais... furtareis, matareis, adulterareis... e direis: fomos livrados a fim de fazer todas estas coisas."

Um fato inegável: os cristãos de qualquer denominação crêem que eles não devem jurar, matar, furtar, mentir, cobiçar, etc. Em outras palavras, crêem que devem guardar os mandamentos. Os adventistas crêem o mesmo, com a diferença que o fazem em relação a todo o Decálogo, incluindo necessariamente o quarto mandamento.

Ora, se nós, os Adventistas do Sétimo Dia, estamos "debaixo da lei" porque cremos na guarda dos Dez Mandamentos, então os demais cristãos estão nove décimos (ou noventa por cento) debaixo da lei, pelo fato de guardarem nove preceitos do Decálogo. "Coerência, és uma jóia."



Outro fato de suma gravidade: costuma-se usar a expressão "não estar debaixo da lei" mas "debaixo da graça" unicamente para se "justificar" a desobediência ao quarto mandamento. Ninguém a emprega para justificar a quebra de outros mandamentos do Decálogo. Cremos honestamente que aqueles que a usam para fugir a guarda do sábado, não sentem nenhum desejo de roubar, matar ou adulterar. Certamente que essas coisas lhes causam horror. Mas, com tal atitude, apenas provam que não é o mandamento de Deus que os inibe de fazer de adulterar, matar, cobiçar, etc., mas sim a educação que receberam, a vigilância social e a opinião pública. Se a prática desses horríveis pecados fosse coisa aceita (como o eram em alguns ritos bárbaros), então não hesitariam em dizer que praticariam tais coisas porque "não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça".



A tal extremo conduz o anominianismo, servindo-se de suas bases capciosas de argumentação. Note-se que há índios e nativos canibais que matam impiedosamente e a sua consciência não os acusa. Erro grosseiro é supor que a guarda dos mandamentos é questão de consciência. A religião cristã não se baseia na consciência, mas é uma religião revelada. Está escrito o que devemos fazer, e o que devemos evitar de fazer e isto é cumprido quando o Espírito nos toca o coração. A consciência, muita vezes, mesmo crendo estar sendo dirigida por Deus, acomoda-se. A consciência não é um guia seguro. O seguro está na revelação. Vamos cumpri-la. A Escritura tem muito a dizer sobre a consciência, como base precária e enganosa. A Bíblia fala de "consciência cauterizada" (I Timóteo 4:2), consciência "fraca" (I Coríntios 8:7). Somente a revelação divina não se cauteriza nem se enfraquece. É inalterável porque o seu elemento é só divino.